escrito/traduzido por : Vanda Viegas / mateus mendes
“Gostariam de comer alguma coisa?"
A pergunta é feita pelo hospedeiro da Austrian Airlines, envergando um uniforme vermelho. Ele segura nas mãos um típico tabuleiro de alumínio.
"É comida vegetariana?"
"Não."
A mão
mantém-se suspensa, como se ele esperasse que nós disséssemos: "Não se preocupe!
Nós somos vegetarianos, mas se ninguém estiver a ver, nós comemos o fricassé de galinha. Se
você não contar a ninguém, nós também não contamos”.
Agradecemos-lhe a oferta e viramo-nos um para o outro: "Que tal uns amendoins?"
Estamos a caminho dos Encontros da EVU em Viena,
organizadas pela Vegan Society (Sociedade Vegana) da Áustria e pela Austrian Vegetarian Union (União
Vegetariana Austríaca). Segue-se uma atribulada viagem de táxi – o motorista não faz a
mínima ideia do local onde nos leva e o seu periclitante sistema de localização global não
ajuda tão pouco – e eis-nos finalmente chegados ao Sport-und Seminarzentrum, em Prater.
Manhã de Sábado. Caras novas e caras familiares. É sempre agradável ver aqui tanta gente e
saber as últimas novidades. Estes Encontros da EVU estão subordinadas ao tema ”Resposta do
Vegetarianismo à Fome no Mundo” e, obviamente, as duas primeiras palestras da tarde são sobre este
tema. Renato Pichler dá o pontapé de arranque com a sua apresentação, seguido de Anita
Euschen, da Animal Friends Croatia (Amigos dos Animais da Croácia). A sua mensagem é semelhante à
de Renato Pichler.
A palestra seguinte, conduzida por Martin Balluch, da Association Against Animal Factories (Associação contra a Criação Industrial de Animais), é diferente. O seu tema tem o título “Sinergias do Activismo Vegetariano e dos Direitos dos Animais”. Ele é um orador vibrante e não é preciso ter muita imaginação para perceber que, quando ele fala nas escolas sobre a questão dos direitos dos animais, um bom número de jovens sai de lá a pensar que está na altura de mudar o seu estilo de vida.
O dia termina com uma apresentação
do vídeo 'Devorar a Terra', com apresentação de Thomas Cuk, da Eslovénia. É um
documentário chocante, narrado por Sir Paul McCartney, confirmando mais uma vez o que a maioria de nós
já sabe: a indústria pecuária é prejudicial e desastrosa. Este documentário deveria
ser exibido nas escolas, juntamente com o de Al Gore, 'An Inconvenient Truth' (Uma verdade inconveniente), para deixar
bem claro que o filme do Sr. Gore omite cuidadosamente os efeitos da indústria pecuária no aquecimento
global.
A manhã de Domingo começa com um
outro orador entusiasta. Paul Turner, da Food for Life (Alimentação para a Vida), é impressionante
e inspirador. A sua apresentação dá-nos vontade de sair e ajudar voluntariamente as pessoas
atingidas pelas guerras ou por outras calamidades.
A oradora que se segue é Barbara Ruetting, membro
do Parlamento Estatal Bávaro. Quando ela revela a sua idade (e seria indelicado repeti-la aqui...), ficamos de
queixo caído e ouve-se um murmúrio de admiração. Em tempos actriz, ela é agora uma
ardente defensora do Vegetarianismo e dos Direitos dos Animais. Ela conseguiu convencer o restaurante dos membros do
Parlamento Bávaro a servir refeições vegetarianas todos os dias. Não é proeza
pequena, num país carnívoro como a Alemanha!
Segue-se Hildegund Scholvien, que não
precisa de se esforçar grandemente para nos convencer a ir a Dresden em 2008, para o 38º Congresso Mundial
Vegetariano. A lista de oradores que já confirmou a sua presença é interessante! Após o
almoço, há uma sessão acesa de troca de ideias e projectos, e o convite para participarmos nos
próximos Encontros da EVU, na Suíça.
Infelizmente, o dever chama-nos de volta a
Frankfurt, e por isso não podemos assistir à intervenção de Stephen Walsh, sob o tema: 'Vida
saudável sem produtos de origem animal'.
Serve-nos de consolo o facto de que o veremos e ouviremos no próximo ano em Dresden, e encaminhamo-nos para o aeroporto. Desta vez, o taxista sabe exactamente para onde vai. Em todo o Aeroporto de Viena, encontramos somente uma (!) opção vegetariana para comer: uma sanduíche de queijo. Pouca sorte se se for Vegano! Imagino que, ou se morre de fome, ou se tem a esperança de que vendam amendoins. Entramos no avião e repetimos a nossa rotineira pergunta quando servem a refeição: “É vegetariano?”, para fazermos valer a nossa posição perante uma surpreendida hospedeira.
Não é fácil ser Vegetariano, mas
depois de um fim-de-semana como este, vemos confirmada e reforçada a nossa convicção sobre o
porquê de o sermos!
Até para o ano!
Carla e Geórgia